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"A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional"

A jornada da maternidade tem me mostrado que a vida é um mar de surpresas. Planejamos, mas as surpresas sempre nos tomam. E uma delas é sobre o parto. Estava pensando hoje, planejei engravidar e diante das dificuldades de tantas amigas achei que demoraria, não aconteceu, engravidei logo. Imaginei que teria um filho, apesar de desejar ardentemente ser mãe de gêmeos, e fui agraciada com esse presentão. E cada dia é um aprendizado de todo o meu corpo, como ele mudou e muda rápido! Minhas medidas, meu peso, minhas formas...alguns podem dizer, mas isso é normal, estar grávida é assim, mas viver cada uma dessas etapas é transformador. É se desconhecer em todos os seus limites e necessidades, mas saber que se trata de uma propósito maior que é gerar uma vida e no meu caso, duas vidas. É reconhecer também meus filhos em cada movimento e reposicionamento que eles fazem dentro de mim.  "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional" (Buda), esse tem sido meu mantra, percebo que a dor é um sintoma e entender isso é aprender a se ler todos os dias para ver se tudo está indo bem. A dor significa que os bebês estão crescendo e achando seu lugar para vir ao mundo, por isso que cada fisgada no quadril, na virilha, na coluna cada desconforto faz parte dessa jornada e porque não abraçá-la com todo amor e compreender cada dia desse processo. 
Cuidei da minha pele o tempo todo para que nenhuma estria aparecesse e continuo cuidando todos os dias, mais um vez por dia, mas inevitavelmente elas deram o ar da graça na minha barriga e fazer o que? Depois resolvo isso, faz parte do show e como todas as coisas que planejamos e temos a falsa impressão de total controle, a vida mostra que não há controle algum, há aprendizado.
E assim, temos também o parto, que não pode ser visto de modo algum como um teste, ele também é uma amostra de que podemos e devemos nos preparar para o parto que desejamos, emocionalmente e fisicamente, mas é também compreender que a vida tem seu próprio curso e entender que apesar de todos os esforços se permitir seguir o próprio curso que a vida apresenta pode ser surpreendente!
Quando falo para as pessoas que meu desejo é que o parto se conduza normalmente, sem qualquer interferência, e essa é a indicação da minha médica para o parto gemelar, as pessoas me dizem o quanto sou corajosa, e algumas outras fazem uma série de recomendações, que não pode esperar, que os bebês não podem entrar em sofrimento, claro que não! O parto desejado, creio eu, pode até ser um escolha da mulher, mas essa escolha deve sempre ser vista através do bom senso e  do equilíbrio. O melhor parto deve ser o que traz maior segurança para os bebês e para mãe, e como a sociedade está acostumada a dar a falsa impressão de segurança a cesárea, este procedimento também se mostra imprudente quando tudo se encaminha para o parto normal, em especial quando sequer se  permite a natureza que se inicie o trabalho de parto em razão do medo da dor, ou ainda, o que aconteceu  com algumas mães que desejavam esse momento de outra forma e não tiveram muita opção em razão das opções médicas não lhe serem favoráveis por se recusarem implicitamente a acompanhar o parto normal (mais isso é ponto de debate de outra conversa). 
Eu acho que tudo deve ser o máximo esclarecido, o conhecimento sobre cada etapa e cada momento da gestação e do parto trazem a clareza das escolhas saudáveis e a libertação dos pensamentos óbvios e predeterminados pela sociedade, inclusive entender o processo da dor que ocorre no momento do parto que é transformadora, como já me disseram algumas mães, inclusive a minha médica. Mas também, criar excessivas expectativas podem trazer uma frustração desnecessária quando as coisas fogem do controle, pois o parto não é um teste, é uma jornada de aprendizado como toda e qualquer etapa da vida onde algumas descobertas só acontecerão no decorrer do processo e por isso é bom que compreendamos que apesar de todos os nossos esforços para que tudo seja conforme o planejado devemos deixar a vida seguir seu curso e confiar em Deus.       

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